Pontão Pátria Grande de Integração Latino-Americana e Territórios de Fronteira


100 anos com Fidel!

100 anos com Fidel!

Y En Eso Llegó Fidel

“Aquí pensaban seguir
Ganando el ciento por ciento
Con casas de apartamentos
Y echar al pueblo a sufrir
Y seguir de modo cruel
Contra el pueblo conspirando
Para seguirlo explotando
Y en eso llegó Fidel

Se acabó la diversión
Llegó el comandante
Y mandó a parar
Se acabó la diversión
Llegó el comandante
Y mandó a parar…”

Carlos Puebla

Esta publicação marca a retomada do trabalho teórico-político de produção de conhecimento, de formação e articulação do Pontão de Cultura e Política Pátria Grande de Integração Latino-americana nesta rede social. E não haveria semana mais propícia, mais auspiciosa que esta, a do centenário de nascimento de Fidel Alejandro Castro Ruz, a maior figura da esquerda Latino-americana e Caribenha.

Nascido em 13 de agosto de 1926, o filho de Birán, um pequeno povoado cubano do município de Mayarí, na província de Holguín, junto com Che Guevara, Raúl Castro, Celia Sánchez, Haydée Santamaría, Camilo Cienfuegos, Juan Almeida Bosque, Vilma Espín e Melba Hernández, dentre outras e outros revolucionários, abalaram a América Latina em primeiro de janeiro de 1959, ao tomarem o poder do golpista, torturador, aliado estadunidense, Fulgencio Batista, que transformara Havana em um quintal ou um parque de diversões para seu vizinho imperialista do norte, com a proliferação de cassinos e prostituição em meio a extrema miséria na qual o país era afundado.

A Revolução Cubana foi um marco histórico que transformou a geopolítica latino-americana e caribenha, não apenas pelo feito doméstico realizado, mas por desde esta pequena ilha caribenha, distante apenas 145 quilômetros dos Estados Unidos da América, afrontar-se os interesses políticos e econômicos estadunidenses e construírem uma nação socialista com potencial de inspirar movimentos de esquerda e de libertação nacional por todo o continente  e na África. 

Importante citar alguns dos movimentos inspirados pela Revolução de Janeiro para dimensionarmos o impacto global do feito cubano: o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e a Ação Libertadora Nacional (ALN) no Brasil; o Ejército de Liberación Nacional (ELN) na Bolívia; a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Nicarágua; a Frente Farabundo Martí de Liberação Nacional (FMLN) em El Salvador; o Movimento Revolucionário 13 de Novembro (MR-13) na Guatemala; O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA); o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC); a Frente de Libertação Nacional na Argélia; dentre outros.   

Todo este impacto gerou forte reação dos Estados Unidos na América Latina com o patrocínio e apoio a golpes de Estado civis-militares na região e sobre Cuba, especificamente, com a imposição de um bloqueio econômico sem precedentes, criminoso, desumano que nessa gestão Trump tem atingido níveis de perversidade surreais.

Por tudo isso, a Revolução Cubana, seu líder maior, Fidel Castro, e todas e todos os demais camaradas que ofereceram seu corpo e seu pensamento para construir a heróica nação cubana, não podem ser esquecidos, borrados da nossa memória pela superficialidade e mediocridade, seja da lógica liberal, seja da lógica conservadora.

Mas há mais um elemento que gostaríamos de lembrar e que conecta umbilicalmente o Pontão de Cultura e Política Pátria Grande de Integração Latino-americana a Fidel: a sua visão e ação internacionalista e de integração dos povos do nosso continente e de todos os demais explorados e expropriados pela estrutura colonial-capitalista. 

Influenciado pelo pensamento nacionalista e antiimperialista de José Martí, para quem “Pátria é humanidade”, Fidel agrega, funde a este, uma perspectiva marxista-leninista revolucionária e também internacionalista que tanto se expressou em apoios a processos revolucionários de libertação nacional anticoloniais em vários países, quanto na solidariedade e cooperação humanitária nas áreas de saúde, educação e  apoio técnico em situaçoes de catástrofe. 

Cuba com Fidel sempre foi internacionalista, anticapitalista e anticolonial. Para além das ações sobejamente conhecidas em incontáveis discursos, o tema internacionalista aparece. 

Pouco mais de dois anos depois da revolução, em 08 de junho de 1961, em discurso proferido no encerramento da reunião do Comitê Executivo da União Internacional de Estudantes, realizada no Capitólio Nacional, Fidel afirmava que: 

“O mundo tem sido solidário com Cuba e por isso Cuba se sente cada dia mais e mais solidária com todos os povos do mundo. Cuba tem tido a oportunidade de experimentar o que é a solidariedade dos povos, esta palavra está plena de sentido para os cubanos e por isso nós que sabemos o que é a solidariedade mundial, nos sentimos obrigados com todos os povos que necessitam da nossa solidariedade e Cuba deve essa solidariedade em grande parte por ter resistido aos ataques do imperialismo e Cuba sabe que com essa solidariedade continuará lutando e continuará resistindo”.

Quase 30 anos depois, em 05 de dezembro de 1988, em discurso pronunciado no ato de comemoração pelo XXXII Aniversário do desembarque do iate Granma e da fundação das Forças Armadas Revolucionárias, Fidel ratificava o internacionalismo cubano:

“Ser internacionalistas é saldar nossa própria dívida com a humanidade. Quem não for capaz de lutar pelos outros nunca será suficientemente capaz de lutar por si mesmo”.

No centenário de nascimento do camarada Fidel Castro, o Pontão de Cultura e Política Pátria Grande de Integração Latino-americana deseja e atua para que a memória de Fidel e da Revolução de Cubana permaneçam vivas em nossas mentes e inspirando vidas insubmissas, insubordinadas e livres do tacão do capitalismo e de suas formas mais perversas, os facismo e o imperialismo.
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Marcos Rocha é psicólogo clínico, pesquisador, militante anticapitalista e compõe o Pontão de Cultura Outros Olhares - política e educação; o Pontão de Cultura e Política Pátria Grande de Integração Latino-americana; a Escola Autônoma Pátria Grande - Cultura, Política e Comunicação; a Fábrica de Imagens - Ações Educativas em Cidadania e Gênero; o Movimento Cultura Viva Brasil sem Fronteiras; e o Movimiento de Culturas Comunitarias para el Bién Comun e Integración Latinoamericana.

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